100 famílias poderão ficar sem casa em Mauá!

Perto de completar dois anos dos deslizamentos que mataram cinco pessoas em Mauá, a Prefeitura tenta convencer 100 famílias a deixar as áreas de risco na cidade. Segundo a secretária municipal de Planejamento Urbano, Josiene Francisco da Silva, o morro do Macuco concentra a maior parte do perigo.

O número de pessoas que precisam deixar imediatamente as casas foi fornecido pela secretária com base no relatório feito pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológica), contratado pela administração por R$ 300 mil para diagnosticar a situação do solo na cidade.

Apesar de ser grande a quantidade de habitantes que convivem com o perigo de desabamentos, o município não pode fazer remoções sem ordem da Justiça. “O risco é iminente, mas a decisão de sair é da família. Cabe à Prefeitura informar, notificar e oferecer alternativa. No entanto, a rigor, não temos como tirar a pessoa à força, a menos que seja por processo judicial”, explica Josiene. A secretária informa que parte das famílias já foi notificada, mas não soube informar quantas.

Quem concordar em abandonar o imóvel passa a receber bolsa aluguel no valor de R$ 350. O benefício é pago até que a família consiga local seguro para morar.

No início do mês, levantamento do instituto apontou que 65% das áreas de risco da cidade são consideradas críticas. Nelas, foram identificados 510 imóveis com perigo máximo.

SEM FISCALIZAÇÃO

A negligência do poder público permite que moradores aluguem ou vendam casas à beira de barrancos para terceiros. A empregada doméstica Dilene dos Santos, 31 anos, se mudou para o Macuco com os quatro filhos há dois anos. “Pagava R$ 150 de aluguel para uma pessoa que foi removida. Quando o proprietário vendeu a casa por R$ 7.000, tive que invadir outro lugar”, admite. Na casa atual, um dos cômodos está desativado por causa de rachadura.

Moradores têm medo de ficar sem auxílio

A preocupação com temporais e a ameaça de deslizamentos não são suficientes para que moradores do morro do Macuco, área de risco no Jardim Zaíra, em Mauá, abandonem suas casas. As famílias temem que a Prefeitura deixe de pagar o bolsa aluguel proposto, no valor de R$ 350, e elas fiquem sem ter para onde ir.

“Não temos garantia nenhuma de que vão pagar certinho (o benefício) até mandar a gente para moradia definitiva”, justifica o comerciante José Ferreira dos Santos, 56 anos.

Com a casa condenada pela Defesa Civil desde o último deslizamento grave, em janeiro de 2010, o comerciante diz estar sempre em alerta. “Nossos documentos já ficam arrumados em uma pasta”, comenta. Apesar das melhorias realizadas desde que o barranco dos fundos invadiu sua casa há dois anos, a cada temporal José precisa pagar para remover o barro que cai no quintal.

Quem confiou na administração e deixou a área de risco no início de 2011 voltou para o Macuco pouco tempo depois. Caso da cozinheira desempregada Cleuza Pedroso Oliveira, 48. Segundo ela, a Prefeitura parou de pagar o auxílio seis meses depois e a única alternativa foi retornar. “A gente deu sorte, porque ninguém invadiu nossa área nesse tempo”, destaca. (Natália Fernandjes)

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Sobre professoriristeu

Professor Iristeu é pedagogo e especialista em educação.
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