LIÇÕES PERIGOSAS DE UMA ELEIÇÃO POLARIZADA.

Fui militante do PT por vários anos e em 2005 sai do partido e ingressei no Psol, pois o PT com a carta ao povo Brasileiro perdeu a identidade ideológica, além de estabelecer alianças com setores opressores e reacionários.

Na convivência com o Psol, percebi também que vários vícios oriundos do PT ainda perduram no imaginário de centenas de militantes e dirigente influentes nas instâncias partidárias.

Venho contribuindo com a construção do Partido do ponto de vista da classe e preocupado com os rumos do mesmo, onde excluem os candidatos da igualdade de condições nas disputas eleitorais como percebemos na última eleição, onde os candidatos (deputados estaduais e federais) em São Paulo, foram preteridos e não puderam participar no horário político gratuito reservado aos mesmos. O descontentamento foi generalizado, pois fui procurado por vários candidatos sobre esse direcionamento anacrônico.

No segundo turno aprovaram uma nota flexível que permitia todo e qualquer tipo de interpretação, possibilitando o voto branco, nulo ou voto em Dilma, levando parte de nossos deputados a apoiarem a candidata Dilma do PT, subirem nos palanques da campanha e até fizeram mais campanha do que muitos dirigentes e parlamentares petistas.

Se o PT de fato representa essa força e essa pureza eleitoral, porque então romperam com o PT? ou isso representa outros interesses ainda não publicizados?

A divisão que se expressou nesse período eleitoral não se trata de uma divisão entre eles e os outros, nem a tão propalada disputas geográficas. Até porque seria um equivoco achar que todos que votaram em Aécio são burgueses ou ricos,pois,Tenho parentes, vizinhos e amigos pobres descontentes com o continuísmo e com a corrupção generalizada. As duas campanhas foram milionárias com exércitos de contratados para divulgar os candidatos. Grandes empresas contribuíram com as duas campanhas e outras. As duas Campanhas foram denunciadas por corrupção ativa. As duas campanhas representam a (extrema direita e centro direita), além de comporem arcos de alianças efetivamente contrários aos interesses dos trabalhadores. A diferença não pode ser somente do ponto de vista ético/moral, pois, nesse quesito, pouco diferem uma da outra.

Na verdade, existe um grande descontentamento com o governo de Dilma e com o continuísmo, e por falta de opção, grande parte votou nulo, se abstiveram, votaram em branco e outro setor não se sentindo contemplado com o continuísmo, equivocadamente votou em Aécio Neves. Também é procedente que os setores conservadores e reacionários apoiaram e votaram no candidato Aécio Neves. A Dilma de fato vai representar uma minoria dos brasileiros, pois, ao somarmos os votos, Aécio obteve (50.859.792), os votos brancos (1.916.290), os votos nulos (5.501.078) e a abstenção (30.137.165). (segundo dados da folha de S.Paulo, 27/10/2017)

Nesse sentido, esta forma de democracia representativa está politicamente fragilizada, porém, historicamente ainda é uma realidade.

O Psol deve fazer a interlocução com a população empobrecida e disputar amplos setores da sociedade;entretanto, ao tomar partido efetivo numa disputa dessa natureza vai gerar confusão e desconfiança nos filiados e simpatizantes que tem compromisso com o novo. O resultado dessa participação é preocupante nesse pós-eleição, pois com as alianças realizadas em vários estados poderá desfigurar efetivamente o conteúdo classista e revolucionário do partido.

Que o debate político avance num patamar de diálogo pontual e de conteúdo classista tudo bem e é bem vindo, todavia, entrar no debate e defesa de candidatos neoliberais ou neodesenvolvimentista é preocupante para qualquer setor da esquerda consequente. Devemos abrir esse debate internamente no partido, pois, a continuar dessa forma, as alianças na próxima eleição de certa forma já estão em curso. Outro desvio que vai custar muito caro são os posicionamentos dos parlamentares e das correntes acima das instâncias partidárias. É urgente que as instâncias partidárias realizem balanços internos, esclareçam quais os limites da política de aliança e com qual programa vamos enfrentar os setores reacionários e golpistas,o governo Dilma e os demais governos nos estados e municípios. “Há todo um velho mundo ainda por destruir e todo um novo mundo a construir. Mas nós conseguiremos, jovens amigos, não é verdade?” Rosa Luxemburgo

Contribuição ao Debate.27/10/2014

Aldo Santos. Presidente do Psol em São Bernardo do Campo.

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Sobre professoriristeu

Professor Iristeu é pedagogo e especialista em educação.
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